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Criaturas sem noção
 


crônica nota mil do Ruy Castro:

RUY CASTRO

Japonês de Hiroshima

RIO DE JANEIRO - A notícia já é velha de alguns meses, mas não me sai da cabeça. Um japonês, Tsutomu Yamaguchi, estava em Hiroshima a negócios no dia 6 de agosto de 1945 quando um avião americano despejou a bomba atômica sobre a cidade. Morreram 140 mil pessoas. Tsutomu sofreu graves queimaduras, mas sobreviveu e conseguiu voltar no mesmo dia para sua cidade, Nagasaki.
Três dias depois, outro avião americano jogou a bomba sobre Nagasaki, matando mais 70 mil. E, pela segunda vez, Tsutomu, mais morto do que vivo, escapou. Sobreviveu não apenas ao impacto das duas bombas, mas passou a vida incólume aos efeitos da radiação que provocou cânceres fatais em milhares de seus compatriotas. Em março último, aos 93 anos, foi oficialmente reconhecido pelo governo japonês como o único duplo "hibakusha" -sobrevivente da radiação atômica- do país.
Tsutomu poderia ser o inspirador da infame piada sobre o japonês que deu a descarga em Hiroshima no momento em que jogaram a bomba e se sentiu o responsável. Há também a história do índio que fazia sinais de fumaça no alto da montanha quando viu ao longe o cogumelo atômico e exclamou: "Era isso que eu queria dizer!".
Na vida real, a bomba não fazia graça para ninguém. Em 1955, a equipe do filme "Domínio de Bárbaros", rodado no deserto de Utah, expôs-se sem saber à radiação provocada por testes nucleares, realizados meses antes pelo governo americano a 220 km dali. Nos anos seguintes, 91 pessoas da equipe tiveram câncer, como os atores John Wayne, Susan Hayward, Pedro Armendariz e Agnes Moorehead, o produtor Howard Hughes e o diretor Dick Powell.
Nem todos têm a incrível resistência de Tsutomu, não? O único outro sobrevivente profissional que poderia despertar inveja no japonês é o senador José Sarney.

Foi na Folha de São Paulo de Hoje.



Escrito por Cristovam às 10h24
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